quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O que eu acho que é o meu avô

Meu avô nasceu no sertão do Pernambuco. Depois de um tempo por lá, depois de casar e ver dois filhos a beira da fome, resolveu fazer o caminho que 2 em cada 3 pernambucanos um dia já fizeram e norteou o sul (ficou engraçado a frase assim, ne?).
E ele - tal qual Fabiano nos modos e na origem: bravo, chucro, quase sádico e incomunicável - criou 8 filhos com mão de ferro, passou bem perto de um explorador infantil, na verdade, mas foi perdoado - é o que minha mãe e meus tios dizem. Enfim, independente dos meios aí está ele. Hoje com 73 anos, tendo juntado sua pequena fortuna, primeiro com o trabalho no campo e depois, usando os rendimentos desse, com casas que ele construiu e alugou, pode dar a si mesmo uma velhice minimamente confortável.
Bem, o fato é que ele tem Alzheimer. A cabeça dele é tão vazia... (Sei lá se eu não tenho um pouco de inveja disso. Mas, que seja.) Enfim, ele não lembra o caminho de volta pra casa, o nome dos filhos nem quanto seus estimados imóveis rendem por mês. E ele está sempre querendo ir embora, mesmo quando está em casa. - Mas embora pra onde? E ele não sabe. Eu acho que o retirante descrito por Graciliano é mais que um estereótipo, é mais forte, quase um espírito... que vive até hoje no coração de quem deixou a seca. E a vontade de voltar pra casa vive junto com esse espírito, que nunca morre.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Tem dias que eu acordo e acho que o meu problema já começou aí. Sabe aqueles primeiros minutos logo após acordar, quando parece que a névoa do sono começa a se dispersar? Quando você pensa em tudo o que tem que fazer e no que você já fez? Nessa hora eu penso em voltar a dormir. Não raramente volto. E depois me arrependo de novo

sábado, 25 de setembro de 2010

E a felicidade parece ter me abandonado na primeira curva que a vida fez. Há tanto tempo que nem me lembro. Ela nunca me pareceu concreta, e não digo me referindo a abstração do sentimento mas a intensidade com que se sente. A que senti foi como que rastros, réstias de alegria. Como se algém muito feliz tivesse passado por ali e deixado algumas migalhas.
Pobre de mim.

domingo, 8 de agosto de 2010

Dia dos Pais


Meu pai se foi quando eu tinha 17 anos. Foi uma época difícil. Auge da adolescência, crises bulímicas, dias sem comer, depressão... Por incrível que pareça, logo após a morte dele me tornei mais forte. Me senti obrigada a cuidar de quem parecia mais frágil do que eu, na época, minha mãe e minha irmã. Eu não admitia de forma alguma nenhum tipo de problema psicológico, arranjei uma força absurda, trabalhei, decidi pela casa, organizei. Hoje não vejo nem sombra daquele equilíbrio todo, sou exatamente o oposto do que fui.
Errei quando não fiquei triste quando deveria, quando não chorei. Agora parece que estou vazia. Errei demais. Hoje sou nostalgia, culpa, remorso.
Hoje minha mãe me disse, no meio de uma conversa sobre o nosso solitário dia dos pais, que quanto mais o tempo passa mais profunda é a tristeza, mais longe fica a ilusão de que um dia ele volta, toca a campainha, abre um sorriso dizendo que sentiu nossa falta e que sente muito pela demora.
Concordei.

Triste é saber que ninguém pode viver de ilusão
Que nunca vai ser, nunca vai dar
O sonhador tem que acordar

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sofrer de amor é pra quem vive de ócio.

Porcaria de sensação egoísta, nada pode ter mais importância do que esse estranhamento no peito, esse entorpecimento. O amor é mais egoísta que o ciúme. Ah, ioiô, eu nasci pra sofrer...
Não se iluda, ou se nasce pra amar e sofrer ou pra fazer qualquer outra coisa.

Chorei toda noite e pensei

No beijo de amor que te dei... Então, ioiô meu benzinho, escrevi na agenda preta de veludo, cheia de rosas em relevo, remorso e intensidade. E, se é pra culpar alguém dos acidentes dissertativos e narrativos que acontecerão a partir de agora, que culpem uma agenda comprada no meio do ano, Elis Regina e toda essa sucessão de eventos aleatórios, incrivelmente coincidentes, que é a minha vida.