domingo, 8 de agosto de 2010

Dia dos Pais


Meu pai se foi quando eu tinha 17 anos. Foi uma época difícil. Auge da adolescência, crises bulímicas, dias sem comer, depressão... Por incrível que pareça, logo após a morte dele me tornei mais forte. Me senti obrigada a cuidar de quem parecia mais frágil do que eu, na época, minha mãe e minha irmã. Eu não admitia de forma alguma nenhum tipo de problema psicológico, arranjei uma força absurda, trabalhei, decidi pela casa, organizei. Hoje não vejo nem sombra daquele equilíbrio todo, sou exatamente o oposto do que fui.
Errei quando não fiquei triste quando deveria, quando não chorei. Agora parece que estou vazia. Errei demais. Hoje sou nostalgia, culpa, remorso.
Hoje minha mãe me disse, no meio de uma conversa sobre o nosso solitário dia dos pais, que quanto mais o tempo passa mais profunda é a tristeza, mais longe fica a ilusão de que um dia ele volta, toca a campainha, abre um sorriso dizendo que sentiu nossa falta e que sente muito pela demora.
Concordei.

Triste é saber que ninguém pode viver de ilusão
Que nunca vai ser, nunca vai dar
O sonhador tem que acordar

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sofrer de amor é pra quem vive de ócio.

Porcaria de sensação egoísta, nada pode ter mais importância do que esse estranhamento no peito, esse entorpecimento. O amor é mais egoísta que o ciúme. Ah, ioiô, eu nasci pra sofrer...
Não se iluda, ou se nasce pra amar e sofrer ou pra fazer qualquer outra coisa.

Chorei toda noite e pensei

No beijo de amor que te dei... Então, ioiô meu benzinho, escrevi na agenda preta de veludo, cheia de rosas em relevo, remorso e intensidade. E, se é pra culpar alguém dos acidentes dissertativos e narrativos que acontecerão a partir de agora, que culpem uma agenda comprada no meio do ano, Elis Regina e toda essa sucessão de eventos aleatórios, incrivelmente coincidentes, que é a minha vida.