domingo, 8 de agosto de 2010

Dia dos Pais


Meu pai se foi quando eu tinha 17 anos. Foi uma época difícil. Auge da adolescência, crises bulímicas, dias sem comer, depressão... Por incrível que pareça, logo após a morte dele me tornei mais forte. Me senti obrigada a cuidar de quem parecia mais frágil do que eu, na época, minha mãe e minha irmã. Eu não admitia de forma alguma nenhum tipo de problema psicológico, arranjei uma força absurda, trabalhei, decidi pela casa, organizei. Hoje não vejo nem sombra daquele equilíbrio todo, sou exatamente o oposto do que fui.
Errei quando não fiquei triste quando deveria, quando não chorei. Agora parece que estou vazia. Errei demais. Hoje sou nostalgia, culpa, remorso.
Hoje minha mãe me disse, no meio de uma conversa sobre o nosso solitário dia dos pais, que quanto mais o tempo passa mais profunda é a tristeza, mais longe fica a ilusão de que um dia ele volta, toca a campainha, abre um sorriso dizendo que sentiu nossa falta e que sente muito pela demora.
Concordei.

Triste é saber que ninguém pode viver de ilusão
Que nunca vai ser, nunca vai dar
O sonhador tem que acordar

Um comentário:

  1. Dura realidade sua, porém rodeada de um sentimento profundo e exaltado pelo amor paterno.
    Teve sorte Nayara, seu pai partiu e deixou uma grande presença. Que as bençãos do Senhor esteja com você e sua família.
    Jefhcardoso do
    http://jefhcardoso.blogspot.com

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